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Como fenômeno raro tem deixado ostras esverdeadas e mais saborosas em Florianópolis
14/04/2026
(Foto: Reprodução) Fenômeno raro deixa ostras esverdeadas e mais saborosas em Florianópolis
Um fenômeno raro está mudando o aspecto e a qualidade das ostras cultivadas pelos maricultores da Baía Sul, em Florianópolis, nas últimas semanas. Segundo pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a proliferação de um tipo de microalga está fazendo os moluscos apresentarem uma coloração esverdeada.
🦪 De acordo com a universidade, o fenômeno não é um problema. A microalga do grupo diatomáceas não produz toxinas e ainda agrega qualidade e sabor às ostras, vieiras e mexilhões cultivados, que têm nesses organismos unicelulares uma rica fonte nutricional.
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O engenheiro de Aquicultura Gabriel Filipe Faria Graff, doutorando em Biotecnologia e Biociências e pesquisador do Laboratório de Biotecnologia e Saúde Marinha (LaBIOMARIS) da UFSC, comenta que a ocorrência de ostras verdes já foi observada em Santa Catarina há mais de 10 anos, em pelo menos duas ocasiões: em 2009 e entre 2015 e 2016.
Os estudos genéticos agora vão investigar se corresponde à espécie Haslea ostrearia - a mesma diatomácea encontrada na França e que produz um pigmento azul chamado marennina.
➡️ Para isso, os pesquisadores partem para duas investigações:
primeiro, vão realizar análises moleculares para confirmar a identificação exata da espécie;
depois, vão tentar identificar as condições que podem ter favorecido a repetição do raro fenômeno.
“A ideia é observar aspectos como as correntes marítimas, ondas de calor, vento, condições ambientais em geral e cruzar essas informações para verificar o que pode ter favorecido a repetição do fenômeno”, explica Gabriel.
Floração de um tipo raro de microalgas na Baía Sul, em Florianópolis, está deixando as ostras esverdeadas
UFSC/ Divulgação
O engenheiro de Aquicultura Gabriel Filipe Faria Graff, doutorando em Biotecnologia e Biociências e pesquisador do Laboratório de Biotecnologia e Saúde Marinha (LaBIOMARIS) da UFSC, explica que, com esses dados, há grande possibilidade de identificar as condições ideais para o cultivo da microalga em laboratório.
Descoberta após clientes relatarem aspecto “mofado”.
A floração observada este ano foi inesperada. Há algumas semanas, produtores locais, como Vinicius Ramos, foram procurados por clientes da região e de outros estados, que relataram que as ostras apresentavam um aspecto “mofado”.
A partir desses relatos, o engenheiro de Aquicultura Gabriel foi a campo investigar o caso.
Feitas as análises com apoio de pesquisadores do Laboratório de Ficologia (LAFIC) da UFSC, constatou-se que se tratava da ocorrência de diatomáceas do gênero Haslea, o que fez ressurgir a oportunidade de ampliar o conhecimento científico e desenvolver tecnologia em torno desse fenômeno.
“Essa microalga tem grande potencial inclusive para aplicações biotecnológicas, como na produção de alimentos e até na área farmacêutica”, ressalta o professor do Centro de Ciências Biológicas (CCB) Rafael Diego da Rosa, coordenador no Brasil da rede internacional de pesquisa EcoHealth4Sea.
Os estudos das microalgas envolvem os pesquisadores do LaBIOMARIS e também a equipe do Laboratório de Ficologia (LAFIC), com os professores Leonardo Rubi Rörig e Carlos Yure Barbosa Oliveira, além da pós-doutoranda Bruna Rodrigues Moreira, bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).
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