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Servidores sugeriram esconder erro após famílias sepultarem corpos errados em SC, diz agente funerária
11/05/2026
(Foto: Reprodução) Homens são velados e sepultados pelas famílias erradas em Florianópolis
Servidores públicos sugeriram manter corpos de três homens trocados mesmo após descobrirem que duas famílias sepultaram desconhecidos em Florianópolis, segundo a agente funerária Aline Thaise Nunes Mikna. "Assim, nenhum dos três casos seriam descobertos", disse à NSC TV.
A confusão teria ocorrido após um erro na liberação pelo Instituto Médico Legal (IML). Dois deles foram sepultados pelas famílias erradas em 10 de abril, com caixão fechado, enquanto o terceiro havia permanecido retido no IML (relembre abaixo).
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"Quando eu fui no IGP (antiga Polícia Científica) juntamente com o gerente da outra funerária, foi sugerida a questão de continuar da maneira que estava, esconder o erro. Que lacrasse a urna, entregasse para o velório normalmente para a família e, depois, fizesse o sepultamento. Assim, nenhum dos três casos seriam descobertos. A gente não fez isso", completou.
Questionada, a Polícia Científica de Santa Catarina negou que essa proposta tenha sido feita.
Entenda a troca
Uma das vítimas era Juliano Henrique Guadagnin, de 24 anos, que morreu de acidente de moto em 9 de abril. Os outros dois foram vítimas de homicídio e tiveram os corpos encontrados no mesmo dia.
Dois deles foram liberados no dia 10 para as respectivas cerimônias de despedida. Um deles foi entregue à funerária contratada pela família de Juliano.
Entenda a troca e a falha na liberação dos corpos:
Patrick Nunes Ferreira foi sepultado no Cemitério do Itacorubi (região Central) indevidamente no lugar de Denner Dario Colodina.
Denner Dario Colodina foi sepultado no Cemitério do Rio Vermelho (região Norte), em local destinado à Juliano Henrique Guadagnin da Silva.
Juliano Henrique Guadagnin da Silva permaneceu retido no IML, sem a devida liberação à família.
Juliano Henrique Guadagnin morreu em um acidente de trânsito em Florianópolis
Arquivo pessoal
Relatório do IML responsabiliza funerária
A NSC TV teve acesso ao relatório de plantão do IML do dia em que os corpos foram liberados. No documento, os plantonistas responsabilizam o agente funerário, profissional da empresa privada responsável por organizar todo o processo fúnebre, pelo erro.
Segundo o relatório, "apesar de demonstrada a exata localização dos corpos liberados para remoção, o agente funerário efetuou a remoção dos corpos de Denner (corretamente) e Patrick (equivocadamente, julgando se tratar de Juliano)".
Conforme o documento, isso teria acontecido enquanto a servidora realizava o armazenamento dos cartões FTA - usado para coleta de material genético dos corpos - e a higienização da sala de necrópsia.
A agente funerária Aline Thaise Nunes Mikna, que trabalha na funerária que fez a retirada dos dois corpos, diz que os documentos estavam corretos, mas com corpos trocados.
O advogado da funerária, Juliano Duarte Campos, afirma que a responsabilidade na hora da entrega dos corpos é dos servidores públicos.
"O agente não reconhece, o agente recebe o corpo. Quem tem que ter cuidado e o dever de polícia de fiscalizar é o funcionário do IGP e não o agente da funerária", enfatizou.
Em nota, a Polícia Científica de Santa Catarina reconheceu "que ocorreu um erro operacional na unidade de Florianópolis durante a liberação dos corpos" e lamentou o ocorrido (leia íntegra abaixo).
Corpo de Juliano Henrique Guadagnin da Silva foi velado corretamente em 13 de abril
NSC TV/ Reprodução
Os corpos enterrados foram exumados e, depois de passar novamente pelo IML, foram sepultados novamente no dia 13.
O g1 questionou a Polícia Civil se um inquérito para investigar o caso será aberto, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem. O Ministério Público de Santa Catarina informou, na sexta-feira (8), que vai instaurar procedimento para apurar o caso.
Erro no IML leva famílias a sepultarem corpos errados em Florianópolis
Como o erro foi identificado?
O erro só foi identificado quando um familiar de uma das vítimas foi até o Instituto Médico Legal para identificar o corpo.
A mãe do jovem Juliano Henrique Guadagnin, Mônica Raquel Guadagnin, recebeu um comunicado da funerária logo após o sepultamento do filho.
"Foi feito o velório dele às 14h, foi feito o sepultamento às 17h. Saímos do cemitério, viemos para casa e, quando eu chego em casa, eu recebo um telefonema da funerária pedindo que eu retornasse na central de óbitos que houve um problema com o IML. Foi tratado assim: 'um problema com o IML'", comentou Mônica.
Corpo de Juliano Henrique Guadagnin da Silva foi velado corretamente em 13 de abril
NSC TV/ Reprodução
O que diz a Polícia Científica?
A Polícia Científica de Santa Catarina (PCISC) vem a público reconhecer, com transparência e responsabilidade institucional, que ocorreu um erro operacional na unidade de Florianópolis durante a liberação dos corpos. A PCISC lamenta profundamente o ocorrido e exterioriza suas sinceras condolências e pedido de desculpas às famílias afetadas, que atravessam um momento de dor e merecem todo o respeito e o compromisso desta instituição.
Importa destacar que o próprio sistema procedimental de controle interno da PCISC foi responsável pela identificação da inconsistência. Detectado o equívoco, foram imediatamente adotadas as providências necessárias para a correção da situação, com a devida comunicação e acompanhamento às famílias envolvidas.
O caso encontra-se sob apuração interna, instaurada pela Corregedoria da Polícia Científica de Santa Catarina, com vistas a identificar com precisão as causas do ocorrido, identificar responsabilidades e determinar as medidas disciplinares e preventivas cabíveis. A PCISC reitera seu compromisso com a integridade, a ética e a responsabilidade em todas as suas ações.
Em decorrência do ocorrido, foram imediatamente iniciadas revisões nos protocolos e procedimentos operacionais relativos à custódia, identificação e liberação de corpos, com o objetivo de reforçar os controles rígidos já existentes e implementar novas salvaguardas. A instituição está determinada a assegurar que situações desta natureza não voltem a ocorrer.
A Polícia Científica de Santa Catarina realiza, anualmente, mais de 5.000 exames de necropsia em todo o Estado, prestados com rigor técnico, profissionalismo, zelo e dedicação por equipes altamente qualificadas. O episódio ora noticiado representa uma exceção lamentável no histórico da instituição, com medidas imediatas adotadas para que algo semelhante nunca volte a se repetir.
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